Pesquisas

DIGESTIBILIDADE DE DIETAS CONTENDO NÍVEIS DE FARINHA DE MINHOCAS
(Eisenia foetida) PARA CODORNAS (Coturnix sp.).

VALENTE, Beatriz Simões1; MANZKE, Naiana Einhardt2; BRUM JR, Berilo de
Souza3; JAHNKE, Dênnis Silveira4; CABRERA, Bruno Ritta4; MORAES, Priscila
de Oliveira4; ORTIZ, Teófilo dos Santos4; XAVIER, Eduardo Gonçalves5.
1M.Sc.em Produção Animal; coordenadora do NEMA PEL; bsvalente@terra.com.br
2Graduanda do curso de Medicina Veterinária/UFPEL; estagiária do NEMA PEL
3Doutorando do PPGZ/FAEM/UFPEL
4Graduandos do curso de Agronomia/FAEM/UFPEL
5Prof. Dr. do DZ/FAEM/UFPEL

INTRODUÇÃO

Conforme FURLAN et al. (1998), a nutrição corresponde a aproximadamente
75% dos custos de produção na criação de codornas, tornando-se essencial,
portanto, sua otimização, por meio da utilização de alimentos alternativos. Dentre os
componentes da ração, o que se destaca, tanto em termos de custo como em
termos de importância para o desenvolvimento produtivo dos animais é a proteína
(FLAUZINA, 2007). Desta forma, ALBINO (1991), o conhecimento da digestibilidade
dos aminoácidos dos alimentos possibilitaria utilizar com mais eficiência alimentos
alternativos na formulação de rações.
Por outro lado, as recentes preocupações mundiais relacionadas à preservação
ambiental estimularam nas últimas décadas um desenvolvimento técnico da
vermicompostagem. A espécie Eisenia foetida destaca-se pela alta taxa reprodutiva
e grande habilidade de se alimentar de uma ampla variedade de resíduos orgânicos
(TACON et al., 1983), o que proporciona a sua utilização como matéria-prima na
fabricação de rações animais (VIEIRA et al., 2004). Segundo ROTTA et al. (2003),
várias características da farinha de minhoca justificam sua utilização como matériaprima
na formulação de rações para peixes e outros animais. Dentre as principais
estão o seu elevado conteúdo protéico (IBÁÑEZ et al., 1993), que conforme o tipo de
alimentação fornecida, oscila entre 68 e 82% (FERRUZZI, 2001).
No intuito de aumentar os conhecimentos na área de nutrição de codornas,
foram determinados os valores de digestibilidade de dietas contendo níveis de
farinha de minhocas da espécie Eisenia foetida.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado no Aviário Experimental do Departamento de
Zootecnia da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da Universidade Federal de
Pelotas, em setembro de 2007. Foram utilizadas 100 codornas de corte (Coturnix sp)
com 23 dias de idade e de ambos os sexos, com peso médio inicial de 126,93+5,83g
e alojadas ao acaso em bateria metálica com cinco andares e quatro boxes por
andar.
Primeiramente, as matérias-primas foram analisadas pelo método de Weende
descrito por SILVA & QUEIROZ (2004) no Laboratório de Nutrição Animal do DZ. O
valor de energia metabolizável para aves foi calculado com o auxílio de simulador de
energia (ROSTAGNO, 2005), onde os coeficientes de digestibilidade utilizados foram
o do milho, do farelo de soja e para a farinha de minhoca foram utilizados os valores
de digestibilidade da farinha de peixes. Para o cálculo dos aminoácidos foi mantida a
relação aminoácido/proteína, sendo o milho e do farelo de soja seguindo a relação
descrita por ROSTAGNO (2005) e a farinha de minhocas segundo o proposto por
VIEIRA et al. (2004). As dietas foram calculadas com o auxílio do programa UFFDA
com níveis previamente fixados em 0, 8, 16 e 24% de farinha de minhoca. Depois de
elaboradas foram retiradas amostras das dietas para análise laboratorial das
mesmas (Tabela 1).
Foram pesados 400g de ração para cada gaiola, acondicionados em potes
plásticos identificados com os números das gaiolas. Para a determinação do início e
fim do período de coleta foi adicionado 1% de óxido de ferro à dieta como marcador.
A ração foi pesada no início e no final do período experimental para o cálculo do
consumo de ração e dos nutrientes.
A coleta das excretas foi realizada duas vezes ao dia (08h30min e 17h) e o
material acondicionado em sacos plásticos identificados e armazenado em freezer.
No final do período experimental as excretas de cada gaiola foram homogeneizadas
e colocadas em estufa de pré-secagem a 60ºC. Depois de pré-secas as amostras
foram analisadas pelo método de Weende. Para o cálculo da digestibilidade dos
nutrientes foi adotado a seguinte fórmula: CDn = ((nC–nE)/nC) x 100, onde: CDn =
coeficiente de digestibilidade do nutriente avaliado(%); nC = nutriente consumido (g);
nE = nutriente excretado (g).
Os dados foram tabulados e submetidos à análise de regressão com o auxílio
do programa estatístico SAS (1998).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tab.2, pode ser observado que não foram encontrados efeitos significativos
para o consumo de ração, de cinzas e de proteína bruta (P>0,05). Também não
foram observados efeitos significativos sobre os teores de cinzas excretadas, de
proteína bruta excretada e na digestibilidade de cinzas de codornas de corte na fase
de crescimento (P>0,05). Entretanto pode-se observar (Figura 1) que a
digestibilidade da dieta apresentou efeito quadrático com o aumento do nível de
farinha de minhoca na dieta. A digestibilidade da proteína bruta aumentou
linearmente com o aumento do nível de farinha de minhoca na dieta, evidenciando o
elevado valor biológico da mesma quando comparado ao farelo de soja. Este fato
pode estar relacionado à composição do alimento (FURLAN et al., 1998), bem como
ao aspecto físico do alimento (LEANDRO et al., 2001). Além disso, esse aumento na
digestibilidade também pode ter ocorrido devido à combinação de aminoácidos e a
disponibilidade dos mesmos para as aves, pois segundo MAY & BELL (1971),
quando uma proteína é de baixa qualidade, os aminoácidos não utilizados na
síntese protéica são utilizados como fonte de energia. Esses resultados concordam
com VIEIRA et al. (2004) que consideram a farinha de minhoca, como um alimento
de origem animal rico em proteína de alta qualidade, bem consumido pelos suínos,
apresentando digestibilidade.
Tabela 1: Composição centesimal de dietas para codornas em crescimento contendo níveis
de farinha de minhoca (FM). Pelotas/RS-2007.
                                              0%FM  8%FM   16%FM   24%FM
Milho                                  47,31   51,31     55,30    59,34
Farelo de soja                 44,96   34,15     23,33    12,46
Farinha de minhoca       0,00     8,00    16,00    24,00
Óleo                                       4,58      3,62       2,67       1,70
Calcário                                1,07     1,22        1,37       1,52
Fosfato bicálcico              0,98    0,68        0,38       0,08
Suplemento¹                      0,50    0,50     0,50
Sal comum                          0,25    0,25      0,25        0,25
Dl-Metionina                     0,25    0,22       0,19        0,16
DL-Treonina                     0,09    0,05       0,02        0,00

                                                    Composição Analisada²

Umidade %                 15,55          15,07         14,95         15,41
Proteína Bruta %      31,7            31,27          24,82        24,27
Cinzas %                         6,13            5,56              4,57          4,55
1suplemento vitamínico mineral.
2análises realizadas no LNA/DZ/FAEM/UFPel

Tabela 2: Consumo de ração (CR), de cinzas (CZi), de proteína (PBi); cinzas excretadas
(CZe), proteína bruta excretada (PBe) e digestibilidade de cinzas de codornas de corte na
fase de crescimento, alimentadas com níveis de farinha de minhoca (FM). Pelotas/RS-2007.

Tratamento     CR (g)       CZi (g)      PBi (g)       CZe (g)     PBe (g)       DCZ %
0FM                   379,14     23,24       120,19       18,21        76,06         21,64
8FM                   345,96     19,24       108,18       16,74       68,93          13,02
16FM                 331,61      15,15          82,31      12,84        47,48         15,16
24FM                347,25      15,80        84,28       13,32        47,16         15,52

Figura 1: Digestibilidade das dietas e da proteína bruta de dietas contendo níveis de farinha
de minhoca (FM) para codornas de corte em crescimento. Pelotas/RS – 2007.

                                                          CONCLUSÃO

A farinha de minhoca é uma alternativa para a alimentação de codornas de
corte em crescimento, sendo uma fonte de proteína de qualidade e alta
digestibilidade, ficando a sua utilização na dependência do custo de aquisição.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBINO, L.T.F. Sistemas de avaliação nutricional de alimentos e suas
aplicações na formulação de rações para frangos de corte. 1991. 141p. Tese
(Doutorado). Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG.
FERRUZZI, C. Manual de Lombricultura. Madrid: Mundi-Prensa, 121p, 2001.
FURLAN, A. C.; ANDREOTTI, M. O.; MURAKAMI, A.E. et al. Valores energéticos de
alguns alimentos determinados com codornas japonesas (Coturnix coturnix
japonica). Revista Brasileira de Zootecnia, v.27, n.6, p.1147-1150, 1998.
FLAUZINA, L. P. Desempenho produtivo e biometria de vísceras de codornas
japonesas alimentadas com dietas contendo diferentes níveis de proteína
bruta. 2007. 36f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias)- Faculdade de
Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Brasília, Brasília.
IBÁÑEZ, I. A.; HERRERA, C. A.; VELÁSQUEZ, L. A.; HEBEL, P. Nutritional and
toxicological evaluation on rats of earthworm (Eisenia foetida) meal as protein source
for animal feed. Animal Feed Science and Technology, Amsterdam, v.42, p.165-
172, 1993.
LEANDRO, N. S. M.; STRINGHINI, J. H.; CAFÉ, M. B. et al. Efeito da granulometria
do milho e do farelo de soja sobre o desempenho de codornas japonesas. Revista
Brasileira de Zootecnia, v.30, n.4, p.1266-1271, 2001.
MAY, R. B.; BELL, J. M. Digestible and metabolizable energy value of some feeds
for the growing pig. Can. J. Anim. Sci., Ottawa, v.51, n.2, p.271-278, 1971.
ROSTAGNO, H. S. Tabelas brasileiras para aves e suínos. Composição de
alimentos e exigências nutricionais. 2ª ed. Viçosa: UFV, Departamento de Zootecnia,
2005b, CD…
ROTTA, M. A.; AFONSO, L. O. B.; PENZ JR., A. M.; WASSERMANN, G. J. Uso da
farinha de minhoca como alimento para pós-larvas de tilápia. Corumbá: Embrapa
Pantanal, 2003, 35p. (Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento 45).
SAS INSTITUTE (Cary, Estados Unidos). SAS/STAT user’s Guide: version 6.4. Ed.
Cary. v.1, 1998.
SILVA, D. J.; QUEIROZ, A. C. Análise de Alimentos. Métodos químicos e
biológicos. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 235 p, 2004.
TACON, A. G. J.; STAFFORD, E. A.; EDWARDS, C. A. A preliminary investigation of
the nutritive value of three terrestrial lumbric worms for rainbow trout. Aquaculture,
Amsterdam, v.35, p.187-199, 1983.
VIEIRA, M. L.; FERREIRA, A. S.; DONZELLE, J. L. Digestibilidade da farinha de
minhoca para suínos. Revista Indústria Animal, v. 61, n.1, p.83-91, 2004

Fonte: http://www.ufpel.edu.br/cic/2008/cd/pages/pdf/CA/CA_00520.pdf

Powered by WordPress | Designed by: search engine optimization company | Thanks to seo service, seo companies and internet marketing company