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CANÁRIOS FRISADOS PARISIENSESUMA EXPERIÊNCIA NA ALIMENTAÇÃO DE FILHOTES DE
CANÁRIOS FRISADOS PARISIENSE:
Com estas poucas palavras, iremos relatar uma experiência que desenvolvemos em nosso
criatório de Canários Frisados Parisienses, na temporada de 2003, entre os meses de
Setembro a Dezembro, período que corresponde ao de criação de canários aqui no Brasil.
Um dos maiores problemas encontrados pela maioria dos criadores de canários de porte e em
especial nos de Frisados Parisienses de maior porte, é a alimentação dos filhotes na
fase em que eles necessitam ser alimentados diretamente no bico. Uma vez que estes
canários tem fama de não serem bons criadores de filhotes, gerando ao final da temporada
um baixo número de filhotes criados por casal. Uma alternativa para os criadores é optar
pela utilização de amas-secas, para almejarem sucesso em suas criações. Esta prática
permite liberar os casais frisados logo após a postura, ficando a tarefa de incubar os
ovos e alimentar os filhotes para as amas, mas por outro lado, aumenta o custo de
criação, pela necessidade de maior número de casais, onde geralmente são utilizados
três a quatro casais de amas, para cada casal de frisado. A utilização de amas resolve
em parte o problema da criação de filhotes, pois com o aprimoramento genético cada vez
maior dos canários, seu instinto de procriação vem diminuindo significativamente,
tornando-se imperativo que os criadores procurem exaustivamente canários que sejam bons
alimentadores de filhotes. Os canários conhecidos como comuns, pindorgas, vermelhos,
gloster entre outros, tem sido os preferidos para esta tarefa, mas mesmo eles, as vezes
necessitam de ajuda dos tratadores nos três primeiros dias de vida dos filhotes, que são
alimentados artificialmente diretamente no bico, com a utilização de papinhas. Temos
nestes últimos anos, lançado mão de diversas marcas de papinhas, inclusive às
importadas, obtendo resultados diversos, às vezes promissores e em outras nem tão
animadores. Há um grande número de morte de filhotes nos primeiros dias de vida,
atribuídos na maioria das vezes, como sendo devido às doenças, mas na realidade estas
mortes são originárias por deficiência na alimentação, que leva os filhotes à
desidratação, inanição com enfraquecimento geral, tornando até mesmo a alimentação
artificial impossível, pois eles não têm força para levantar a cabeça e abrir o bico,
tendo como conseqüência final a morte de um elevado número de filhotes. Em todos estes
anos de experiência na criação de canários frisados, sempre procuramos fazer uma
comparação entre a forma de alimentação de nossa criação e o comportamento dos
pássaros silvestres, quanto à alimentação de seus filhotes. Eles utilizam sementes,
frutas e principalmente insetos e minhocas, que tem na composição de seus corpos uma
elevada porcentagem de proteína para alimentarem seus proles, obtendo um sucesso
espetacular, onde os filhotes silvestres abandonam os ninhos de 13 para 14 dias de
vida, enquanto nossos canários levam mais de 20 dias, devido ao seu crescimento lento e
de forma desigual. Os filhotes silvestres apresentam um aspecto morfológico de
desenvolvimento muito melhor que os de nossos canários, que são alimentados com diversos
tipos de sementes, verduras, ovos e rações das mais variadas origens e preços, que às
vezes não até exorbitantes, não levando ao desejado da criação. Sempre pensei em
adicionar algo na alimentação dos filhotes , que fosse semelhante aos alimentos
silvestres, como insetos que tem alto valor protéico, mas esta prática é muito
complicada, haja vista, que havia necessidade de termos uma criação de insetos paralela
a de canários, situação impossível principalmente para os criadores que não são
aposentados, tendo que conciliar o trabalho com as atividades de uma criação. Em 2003,
durante o campeonato Brasileiro em Florianópolis, tomamos conhecimento, através de
trocas de experiências com outros criadores, quando tivemos a grata surpresa de ouvir
fala da utilização de FARINHA DE MINHOCA, adicionada à alimentação de Periquitos
Australianos padrão inglês. Nos foi relatado que os resultados obtidos foram a redução
da taxa de mortalidade para próximo de zero e o tempo de anilhamento dos filhotes
diminuído em dois a três dias. Isto nos fez pensar em aplicar o mesmo sistema na
criação de frisados parisienses e verificar se haveria diminuição nos índices de
mortalidade em nossa experiência, quando comparamos aos dos anos anteriores. A FARINHA DE
MINHOCA tem mais de 60 % de proteínas e é produto de origem animal, que geralmente
apresenta um grau de digestibilidade para os animais onívoros e os ancestrais de nossos
canários quando da vida silvestre, tinha este tipo de hábito alimentar. Esta farinha vem
de encontro ao comportamento das aves silvestres, que alimentam seus filhotes com insetos,
que tem a maior parte do corpo formada por proteínas, daí o grande desenvolvimento
apresentado por seus filhotes. Quando iniciamos nossa temporada de criação em setembro
de 2003, resolvemos introduzir a FARINHA DE MINHOCA na criação, na proporção de 30
gramas por kg de farinhada, somente para as amas secas e filhotes. Já na papinha que era
utilizada para a alimentação feita diretamente no bico dos filhotes, utilizamos 50 % de
FARINHA DE MINHOCA e 50 % de papinha, portanto em partes iguais, onde adicionamos água te
formar uma mistura semi-líquida para permitir melhor ingestão pelos filhotes. Esta
mistura era feita na hora de alimentar os filhotes, desprezando-se as sobras para evitar
um possível processo de fermentação, que com certeza levaria a sérios problemas
digestivos aos filhotes. Nossas primeiras observações foram feitas quanto aos aspectos
gerais dos filhotes, eles apresentavam um crescimento uniforme e maior que o ocorrido nos
anos anteriores, ao menor movimento ficam ativos, abrindo o bico pedindo comida, a pela
era lisa, esticada e brilhante, pernas grosas sem sinais de disidratação e a mucosa da
boca de coloração bem vermelha, mesmo sendo canários que não recebem pigmento vermelho
na alimentação. O número de dias para o anilhamento de nossos frisados foi reduzido de
nove a dez dias, para sete a oito, pelo fato dos filhotes apresentarem um maior
crescimento e menor grau de desidratação, ficando com as pernas mais grossas e fortes.
Ao final de nossa estação de criação em Dezembro de 2003, chegamos ao sensacional
índice de mortalidade igual a ZERO. Fato que nunca havia ocorrido em todos os anos
anteriores de experiências que tivemos na criação de canários frisados parisienses.
Frente a estes resultados pensamos em continuar na próxima temporada de criação de
2004, nossa experiência e porque não tentar aprimorar sua utilização. Torna-se
evidente lembrar que para termos sucesso em nossas criações a alimentação não é
fator único, devendo tomar todos os cuidados com a genética, sanidade, manejo e uma
grande dose de dedicação para se conseguir melhores resultados. Esperamos que esta nossa
simples experiência seja o caminho para novas observações e aprimoramento deste
maravilhoso roby, que é a exuberante e diversificada criação de canários existente em
nosso querido Brasil.
Celso Leite Villela Criador de canários Frisados
Fone 19 3651 2264
e-mail: celsovillela@itelefonica.com.br
Rua Dr. Agenor Mondadori, 45 Jardim Universitário
Espírito Santo do Pinhal/SP- CEP: 13.990-000
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